“Não há livro, por pior que seja, que não tenha algo de bom”, Plínio

 

Certo dia em 2011, eu estava caminhando pela avenida Paulista quando passei ao lado da vitrine de uma livraria. Em meio à confusão de livros, bati os olhos em um que mudaria a minha vida: 1001 Livros para Ler Antes de Morrer, um catálogo gringo formado por fichas sobre alguns dos maiores clássicos da literatura universal.

“Que bobagem”, lembro de ter pensado. Ninguém nunca conseguiria ler 1001 livros na vida! Segui meu caminho. Mas três ou quatro passos depois, eu parei. Dei meia-volta. Até que seria muito divertido tentar…

Assim surgiu, sem nenhum estardalhaço, o projeto Ler Antes de Morrer. Entre uma aula e outra das faculdades de Direito e Jornalismo, que eu cursava simultaneamente, arrumei tempo para alimentar um pequeno blog literário. Nele eu registrava minhas impressões pessoais sobre tudo o que eu tinha a oportunidade de ler.

Os anos se passaram e o projeto se desenvolveu, junto comigo. Em 2014, começou uma nova etapa com resenhas literárias em vídeo. Foi quando a aeronave realmente decolou.

Atualmente, somos uma comunidade de mais de 150 mil leitores, no Brasil e em toda a comunidade lusófona do mundo. Sem nenhum grande patrocínio público ou privado, o projeto Ler Antes de Morrer conquistou presença forte no YouTube, Facebook, Instagram e, claro, no Skoob, a maior rede social brasileira sobre livros.
Toda semana, dois vídeos novos trazem impressões, curiosidades e opinião sobre os mais diferentes tipos de livros – clássicos universais e contemporâneos, não-ficção, quadrinhos, entre outros. O critério de escolha é amplo e ao mesmo tempo restrito: aqui só entra literatura de boa qualidade.

Se hoje o Ler Antes de Morrer já caminha com as próprias pernas, permitindo que eu abrisse mão de um emprego tradicional, é porque eu fiz dele um projeto de vida.

Seguindo o ritmo de uma nova leitura por semana, serão mais de 20 anos para alcançar as 1001 leituras. Três anos já foram. E eu tenho certeza de que cada etapa desta jornada vai continuar valendo a pena.

Se você gosta de literatura, dê uma voltinha pelo blog. Se não gosta, dê uma voltinha também. Vai que tem um Miguel de Cervantes aí dentro de você só esperando para ser descoberto!

Quem escreve

Isabella Lubrano

 

Perguntas Frequentes

Você é estudante ou jornalista e quer saber mais sobre a Isabella Lubrano e o projeto Ler Antes de Morrer? Aqui estão algumas perguntas frequentes. Se quiser saber mais, entre em contato com a gente!

 


Como surgiu a ideia do canal e por que 1001 livros?

Meu canal no YouTube surgiu como uma continuação do meu blog, que na época ainda era muito amador. Este blog surgiu lá pelo ano de 2010, como um hobby para treinar redação e para me estimular a ler mais. Eu fazia faculdades de Direito e Jornalismo simultaneamente e não tinha tempo de estagiar. Então, como eu gostava muito de ler, resolvi criar um blog sobre literatura como uma espécie de atividade extracurricular.

A proposta do meu blog era mais ou menos a mesma do canal – ler e resenhar mil e um livros. Eu me inspirei na lista “1001 Livros Para Ler Antes de Morrer”, que dá para encontrar em qualquer livraria. No entanto, logo desisti de seguir a ordem de leitura dessa lista e resolvi ler os livros que me dessem vontade e que eu achasse importantes. Assim, incluí muitas obras da literatura brasileira.

O canal no YouTube só surgiu alguns anos depois, em 2014, quando eu já estava formada nas duas faculdades e estava trabalhando como produtora da TV Gazeta de São Paulo.

Alguém me sugeriu gravar as minhas resenhas em vídeo para ver o que acontecia. O resultado foi muito melhor do que eu imaginei: tive uma audiência bem maior do que nas minhas resenhas em texto. Depois de uns quatro ou cinco vídeos experimentais, decidi investir no meu canal do YouTube profissionalmente. E assim sigo até hoje.

 

– Qual o seu principal objetivo com os vídeos?

Eu poderia dizer que é incentivar o hábito da leitura no Brasil, valorizar os grandes autores nacionais, ou até mesmo tentar “ficar rica”, como os grandes youtubers brasileiros. Mas tudo isso é secundário. Meu principal objetivo com meus vídeos é simplesmente ser feliz. Ler é o que mais gosto de fazer na vida, e os compromissos do meu canal me obrigam a passar a maior parte do meu tempo lendo.

Consegui transformar meu hobby na minha profissão, e isso é a melhor coisa do mundo.

 

– O que você gostaria de passar a seus espectadores com seus vídeos?

Em geral, eu gosto de resenhar livros que são considerados “clássicos” – embora a maioria dos leitores os ache chatos. Quero que os espectadores entendam por que esses livros são tão importantes, por que eles são considerados revolucionários e geniais. Sei que fiz um trabalho bem feito quando recebo comentários do tipo: “Nossa, nunca me imaginei lendo este livro, mas depois da sua resenha fiquei morrendo de curiosidade e vou tentar!”.

 

– Como é a construção dos temas de seus vídeos?

O canal segue a seguinte rotina: às sextas-feiras, eu publico uma resenha sobre algum livro relevante e de boa qualidade da literatura brasileira ou mundial; às terças, publico vídeos têm tema livre – séries, TAGs, discussões, perguntas dos leitores, etc. Sempre que possível, publico vídeos aos domingos também, falando sobre contos ou sobre alguma obra de escritor iniciante, no quadro publicitário “Vitrine Ler Antes de Morrer”.

 


– O que você pensa sobre essa imersão de youtubers no mundo literário?

Não vejo com maus olhos, não. Não compartilho essa arrogância de tanta gente que não leu mais do que cinco livros na vida e fala que os livros de youtubers são ruins e estão “banalizando a literatura brasileira”. É um ódio que não leva a lugar nenhum (como, aliás, a maioria dos ódios).

Acrescento também que esta postura, ainda por cima, é ignorante. As pessoas que criticam o suposto “mal” que os livros de youtubers estão fazendo à literatura não conhecem muito o mercado editorial. Nunca pesquisaram a respeito.

Se tivessem se dado a este trabalho, saberiam que o sucesso dos livros de youtubers está injetando dinheiro nas editoras e livrarias numa época de crise econômica. Sem o dinheiro dos best-sellers, nenhuma editora conseguiria publicar os chamados “livros de qualidade”, que vendem pouco e quase não dão lucro.

 

– Você já leu algum livro de youtuber? Qual é a sua visão sobre eles?

Ainda não li nenhum livro de youtuber, tanto por falta de tempo quanto de interesse. Mas isso não me impede de defendê-los. O fato de eu não gostar de alguma coisa não me dá direito de desprezar quem gosta.

 

– Ser jornalista de ajuda de alguma forma na produção dos vídeos? E você tenta trazer aspectos jornalísticos para suas resenhas?

Sem dúvida, minha experiência como jornalista tem me ajudado a produzir conteúdo e pensar em estratégias de crescimento para meu canal. Quando eu comecei a gravar vídeos, em 2014, eu já tinha alguma experiência com edição e roteirização para TV, e também estava passando por treinamento em locução com uma fonoaudióloga.

Na faculdade de jornalismo, aprendi um pouco sobre Teoria da Comunicação, Comunicação Comparada, Gestão de negócios editoriais. E, mesmo depois de me formar, continuo fazendo cursos e workshops para continuar aprendendo a trabalhar com redes sociais e a gerir um canal no YouTube.

Tudo isso me ajuda a tomar decisões e pensar em estratégias para fazer o meu negócio crescer. O Ler Antes de Morrer não é um hobby, não é um diário de leitura virtual e de forma nenhuma é uma obra do acaso. Eu o vejo como uma empresa de comunicação.

 

– De que forma falar sobre aquilo que se leu altera ou afeta a construção da leitura em si?

Você já deve ter ouvido algum professor falar que não basta só assistir às aulas ou ler os livros – para aprender de verdade, a gente precisa também escrever resumos ou tentar ensinar a matéria para os amigos. Em outras palavras, o seu professor estava tentando te mostrar que o aprendizado é uma via de mão dupla: ele não vem apenas das atividades passivas (ouvir e ler), mas também das ativas (escrever e explicar em voz alta).

Com as minhas leituras, ocorre o mesmo processo. Quando eu leio um livro, tenho algumas impressões e formo as primeiras opiniões. Mas é só quando eu começo a fazer anotações e quando quando elaboro o texto das minhas resenhas, que eu realmente sinto que entendi alguma coisa a respeito daquele livro.

Escrever resenhas não é fácil. Exige reflexão, criatividade e capacidade de fazer conexões. Este esforço, no entanto, compensa: eu aproveito a leitura muito melhor. Chego um pouco mais perto da experiência que os autores desejariam que seus leitores tivessem.

 

– O que você aprendeu durante todas essas leituras e gravações?

Aprendi muita coisa. Em primeiro lugar, hoje sou capaz de editar um vídeo em poucas horas – antigamente, eu demorava dias inteiros para isso. Também aprendi atalhos para escrever meus roteiros, descobri maneiras de falar que ficam mais agradáveis de assistir no vídeo, além de algumas estratégias de gestão.

Mas é claro que não foi só isso. Na minha vida pessoal, também estou aprendendo muito. Os grandes mestres da literatura não são “mestres” por acaso. Eles tinham algo a dizer. Graças ao meu trabalho, tive a oportunidade de ler autores como Kafka e Tolstói, Cervantes e Saramago. Sem falar que me reconciliei com autores que, durante o Ensino Médio, foram meus pesadelos, como José de Alencar e Guimarães Rosa.

Aprendi que eles são artistas, e a arte é transformadora. As grandes obras de arte têm a capacidade de nos mostrar facetas da vida que nós, pessoas comuns, não conseguimos enxergar com nossos próprios olhos.

 

– Você resenha todos os livros que lê? Algumas te causam maior dificuldade que outras?

O lado ruim do meu trabalho é que não posso mais ler livros só por distração, sem a obrigação de fazer uma resenha. Não tenho mais tempo para isso.

Eu me comprometo a resenhar um livro diferente por semana, o que é uma missão muito difícil! Nem sempre estou com cabeça para “decifrar” um grande clássico. Por isso, de vez em quando escolho alguns títulos mais populares, como os best-sellers “Harry Potter”, “A sombra do vento”, “O pequeno príncipe”, etc.

É um jeito de deixar o canal mais variado e também dar uma descansada na cabeça.

 

– A sua relação com a literatura mudou depois do canal? Se sim, de que forma?

Acho que a única coisa que mudou é que deixei de frequentar livrarias. Hoje, não tenho mais aquele “comichão” por entrar uma livraria e comprar montanhas de livros, porque as editoras e autores independentes mandam para mim muito mais coisa do que eu sou capaz de ler!

Tirando isso, minha relação com a literatura não mudou. Continuo achando que o livro é a melhor companhia antes de dormir, ou no transporte público; continuo achando que livros são os melhores presentes que a gente pode dar ou ganhar; e continuo achando que, nos dias de tristeza, eles são os melhores amigos e conselheiros.

 

– Como é a relação com a audiência do canal? Eles fazem com que a sua visão de determinado livro mude ou te incentivam a ler uma obra específica?

Já dei chance para muitos títulos ou autores por causa dos conselhos dos meus seguidores. O pessoal que acompanha meus vídeos é muito participativo e bem educado. Tenho muita sorte, porque quase nunca aparecem aqueles “haters” chatos que infestam a internet…

Hoje em dia, não consigo mais responder a todas as mensagens, como antigamente. Mas procuro ler o máximo possível, porque os leitores me dão muitas dicas e críticas construtivas. Eles me ajudam muito a identificar os defeitos que, sozinha, eu não saberia enxergar.