Livro nº 141: O Estrangeiro, Albert Camus

 

Publicado em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, O Estrangeiro de Albert Camus é hoje o livro recordista de venda em formato de bolso na França.

É praticamente impossível imaginar que um estudante termine Ensino Médio francês sem precisar se debruçar pelo menos uma vez nos mistérios do protagonista Mersault, o funcionário de uma exportadora na Argélia que um belo dia sente a necessidade de matar um árabe na praia.

 

 


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Frequentemente elevado ao mesmo nível de intelectuais como Jean-Paul Sartre e Marcel Proust, o escritor franco-argelino Albert Camus sempre negou o título de filósofo.

No entanto, nas páginas de O Estrangeiro (assim como em outras importantes obras, como A Queda, A peste e O mito de Sísifo) ele se apoia numa narrativa ficcional para fazer a exposição de um conjunto de ideias que podem, sim, ser definidas como filosofia.

No caso de O Estrangeiro, trata-se da filosofia do absurdo – ou absurdismo.

Através da insensibilidade robótica de Mersault – que não chorou nem mesmo no funeral da mãe – Albert Camus provoca no leitor uma sucessão de sentimentos desagradáveis, que passam da indignação, ao desprezo, à desesperança com o futuro da humanidade.

 

Retrato de Albert Camus.

 

No entanto, há quem leia na filosofia de O estrangeiro uma mensagem de conforto. Se nada no mundo faz sentido, se Mersault está certo e todas as regras morais não passam de invenção das nossas cabeças imaginativas, então não há motivo para se sofrer.

Na sua trajetória infame, Mersault alcança um tipo de superação que é de botar inveja em qualquer um de nós, que passamos a leitura inteira a desprezá-lo por sua falta de sentimentos pela humanidade. Mersault supera o medo da morte.

E dessa revelação, meus amigos, todos nós temos muito o que aprender.