124º Livro: Coração das Trevas, de Joseph Conrad

 

Você assistiu Apocalipse Now? Sabia que ele é inspirado num clássico da literatura?

Estou falando de Coração das Trevas (1899) de Joseph Conrad, que traz o relato de um marinheiro inglês chamado Marlow sobre uma viagem ao canto mais remoto da terra, no continente mais selvagem e mais tenebroso.

Está pensando no sudeste da Ásia, na região do Vietnã por causa de Apocalipse Now? Esquece. Ele estava falando era sobre a África, que até o final do século XIX ainda era visto pelos europeus como “um imenso continente em branco”, que ainda precisava ser descoberto.

 

 


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Mas o clichê de “história de uma aventura africana” acabam aqui. Isso não é sessão da tarde. Não é o Tarzan. Nessa viagem Marlow não teve nenhuma diversão, o que ele encontrou foi a barbárie em estado puro.

E tudo graças ao brutal sistema de colonização, implementado pelo Rei da Bélgica no país que hoje é conhecido como República Democrática do Congo.

 

Neocolonialismo na África, em mapa do início do século XX.

 

O texto é dividido em três partes. A primeira é rica em descrições arrepiantes sobre escravidão,
fome, doença a que os congoleses nativos estiveram submetidos durante o domínio belga. Joseph Conrad esteve pessoalmente no Congo em 1880 e testemunhou com seus próprios olhos a barbárie, que causou, segundo estimativas recentes, a morte de cerca de 10 milhões de pessoas.

Já o restante do livro se dedica mais ao personagem chamado Kurtz, que inspirou o papel de Marlon Brando no cinema: um colonizador que penetrou as profundezas da floresta em busca de riqueza, mas só encontrou a loucura e a morte.

Uma leitura difícil, pesada. Mas, mesmo assim, você deve ler Coração das Trevas alguma vez na vida. É uma daquelas oportunidades únicas de vislumbrar a extensão do que parece infinito: o extremo a que conseguiu chegar a exploração dos seres humanos.

 

Livro nº 123: Na colônia penal, de Franz Kafka

 

Você sabia que o arquipélago de Fernando de Noronha, que hoje faz parte de Pernambuco, já serviu como uma colônia penal durante cerca de 200 anos? Quem viaja até lá pode ver as ruínas que sobreviveram até hoje.

É que o livro que eu li nesta semana se passa em uma dessas prisões tropicais – que poderia até mesmo ser Fernando de Noronha, parando pra pensar, porque o autor não especifica bem o lugar.

Ele se chama Na colônia penal e foi escrito por Franz Kafka (1883 – 1924), um dos autores mais icônicos do século XX.

 

 


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O enredo se desenrola assim. Um belo dia, chega na colônia um explorador estrangeiro, que é prontamente convidado a conhecer o orgulho do lugar: um sofisticado aparelho de tortura, que prolonga a execução de morte por doze longas horas de suplício e sofrimento.

(Pois é, se alguém te disse que ler Kafka é uma experiência leve e relaxante, pode ter certeza de que você foi enganado.)

 

Retrato de Franz Kafka.

 

Na colônia penal é uma leitura tão perturbadora quanto as outras obras-primas do escritor, A metamorfose e O processo.

A diferença é que ele é bem mais curto – na verdade, é apenas um conto – e mais fácil de ler. Ou seja, é uma ótima pedida para você que sempre quis entender porque falam tanto desse tal de Kafka no mundo da literatura.

Segundo o professor Modesto Carone, que traduziu toda a obra de Kafka para o português e ainda assina um posfácio no final da edição da Companhia das Letras, Na colônia penal representa o momento em que Franz Kafka começou a direcionar a sua literatura para o conflito do indivíduo contra o mundo burocrático, irracional e labiríntico das instituições humanas.
Eu tenho certeza de que você, de alguma forma, também vai se identificar.

122º Livro: A Amiga Genial, de Elena Ferrante


 

Você já ouviu falar de Elena Ferrante? Se ainda não, se prepare.

A HBO americana (famosa por adaptações literárias de sucesso, como “Guerra dos Tronos” e “Pequenas Grandes Mentiras”) anunciou no fim do mês de março que vai transformar em série o maior sucesso editorial italiano dos últimos tempos, A Amiga Genial.

O romance de Elena Ferrante fala sobre a amizade de uma vida inteira entre duas mulheres – Lenù e Lila – que nasceram e cresceram em um bairro humilde de Nápoles nas décadas que sucederam a Segunda Guerra Mundial.

 

 


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O livro tem três continuações que acompanham essa amizade até os dias de hoje: História do novo sobrenome, História de quem foge e quem fica, e o último volume, que tem lançamento em português previsto para este semestre: História da menina perdida.

Juntos, os quatro livros formam a “Série Napolitana”, que já vendeu mais de 1 milhão de livros só nos Estados Unidos – um mercado que não costuma acolher bem livros escritos em língua não inglesa.

É que poucos escritores penetraram nas complexidades da alma feminina com tanta verdade quanto Elena Ferrante.

A amizade entre Lenù, a personagem que narra a história, e Lila, a amiga de gênio forte e mente brilhante, desafia os clichês de gênero e faz emergir os tabus, as descobertas e as memórias pessoais de cada leitor.

E quase tão fascinante quanto a história dessas mulheres é o mistério em torno da autora dos livros.

Elena Ferrante não dá entrevistas, não tira fotos, não aparece em público. Aliás, a gente não sabe nem mesmo se este é o verdadeiro nome dela.

Numa investigação digna de detetive particular, um jornalista italiano levantou no fim de 2016 a hipótese de que o verdadeiro nome dela seria Anita Raja, e que exerceria um emprego de fachada como tradutora para a Edizioni E/O, a editora que publica o livro na Itália.

A informação nunca foi confirmada nem por Raja e nem pela editora. Mas, contanto que continue a escrever livros assim, os milhares de fãs de Elena Ferrante pelo mundo (e eu, hoje, me incluo entre eles), não vão ter tempo de preocupar com este mistério.

 

Sorteio: Mais Leve que o Ar, de Felipe Sali

 

Mais um sorteio para deixar a gente feliz!

Eu conheci o Felipe Sali na última Bienal do Livro de São Paulo, quando ele estava divulgando a rede social de publicação de livros mais famosa do mundo: o Wattpad.

O próprio Felipe é escritor da platamforma – aliás, o mais popular do Brasil, com nada menos que 1 milhão de acessos a seus livros. Sim, você não leu errado: um milhão de pessoas que leram, pelo menos, um capítulo inteiro das obras dele.

Tanto sucesso na internet não ia escapar do assédio das editoras. Tanto é que a obra mais popular do Felipe acaba de ser publicada em papel, numa edição caprichadíssima, pela Lote 42.

O Felipe autografou uma edição só para os leitores do Ler Antes de Morrer. Então preencha o formulário e participe!

 

 


 

 

121º Livro: Da preguiça como método de trabalho, de Mario Quintana

 

Hoje é um dia histórico do Ler Antes de Morrer: a estreia do gênero poesia!

É um pedido antigo de vocês. Um dos meus projetos é justamente criar, no futuro, um quadro semanal para ler e analisar poemas incríveis da língua portuguesa.

A sugestão de resenhar “Da preguiça como método de trabalho” – coletênea de poesia e crônica por Mario Quintana, publicado em 1987 – foi do pessoal do Clube Ipê Amarelo, o clube de assinatura de livros criado pelo Instituto Rubem Alves.

Aproveite a resenha de hoje, que vai funcionar como um teste. Se fizer sucesso, vou trazer cada vez mais poesia aqui para o canal!

 

 


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