Livro nº 115: O País do Carnaval, de Jorge Amado

 

Quem nunca ouviu dizer que o Brasil é “O País do Carnaval”?

Gostando ou não da maior festa popular do mundo (eu mesma não sou lá muito enamorada pelo Carnaval), não há como negar que este é quase um subtítulo do nosso País, uma frase tão conhecida que poderia estar escrita na bandeira no lugar do Ordem e Progresso.

Desde seu primeiro romance, que tem exatamente este título e foi publicado em 1931, o baiano Jorge Amado já dava sinais de que seria o escritor que melhor saberia falar sobre o Brasil.

 

 


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“O País do Carnaval” conta história do advogado frustrado Paulo Rigger e seus amigos, membros de uma geração que está em busca de “um norte” no Brasil da década de 1930.

Filho de um rico fazendeiro baiano, Rigger passou sete anos estudando em Paris e, na volta, não consegue mais se identificar com a cultura brasileiras – mas com os preconceitos e convencionalismos nacionais, sim.

Seus amigos, Ricardo Braz, José Lopes, Jerônimo Soares e Pedro Ticiano também enfrentam dilemas semelhantes. Cada um escolhe um caminho diferente por um caminho na busca pela felicidade – o casamento, os livros, a religião, a desilusão.

Em seu primeiro romance, Jorge Amado de 18 anos é um autor confuso, meio arrogante, ainda preso ao intelectualismo europeu. Mal parece o Jorge que se consagraria com Capitães da Areia, Mar Morto, Gabriela, Cravo e Canela, Dona Flor e seus dois maridos, Tieta do Agreste e muitos outros.

Mas mesmo assim, não adianta: a deliciosa sensualidade de Jorge Amado, o desafio ao moralismo hipócrita, o fascínio pelas camadas mais invisíveis da sociedade brasileira (a prostituta, o trabalhador rural) – tudo o que consagrou Jorge Amado no Brasil e no mundo já estava lá, embrionário, querendo nascer.

Apesar dos defeitos, “O país do Carnaval” pode ser uma leitura muito prazerosa para aqueles que, como eu, sabem que nunca houve outro autor como Jorge Amado – e que mesmo os maiores gênios precisam começar de algum lugar.

E se você gostou dessa sugestão, veja também outras ideias de leituras que provam que dá para curtir boa literatura no canal:

 

 


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Luna Lina, a Menina que Semeava Ecos – Júlio Carlos Alves (Vitrine)

 

No episódio de hoje do quadro Vitrine Ler Antes de Morrer, um romance que usa a história do Brasil para falar da relação entre os homens e a natureza.

Luna Lina – a Menina que Semeava Ecos (por Júlio Carlos Alves, editora Pontes) começa quando Dílio, pai de família comum que trabalha como diagramador numa cidade do interior, descobre enterrada no jardim de uma praça uma caixa de joias antiga, que despontava quase despercebida pelo chão terra.

Depois de algum tempo e esforço, Dílio consegue abrir a caixinha de metal, que já estava praticamente selada devido a ferrugem.

E o que ele encontra lá dentro vai transformar sua vida para sempre.

 

 


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Um diário completo, escrito por uma adolescente que viveu naquela mesma cidade no final do século XIX. Luna Lina era o nome dela – e, embora o diário tenha sido datilografado numa máquina de escrever comum, por algum motivo ele fora conservado dentro da caixinha de joias num tamanho minúsculo, absurdo, quase impossível de se ler a olho nu.

Como explicar este mistério? O que pode ter acontecido na vida daquela menina para justificar a inconcebível sobrevivência de um diário minúsculo, enterrado aos pés de uma árvore imponente, bem no meio de uma praça comum de cidade do interior?

Luna Lina – a Menina que Semeava Ecos é um romance delicado, surpreendente e cheio de pequenos ensinamentos sobre a conexão entre os homens e a natureza. Ele vai te prender desde a primeira página – e, talvez, permanecer na sua memória por muito tempo depois que você acabar de ler a última.

 

Livro nº 114: Uma breve história do tempo, de Stephen Hawking

 

A primeira resenha de um livro científico da história do canal!

“Uma breve história do tempo” foi publicado por Stephen Hawking pela primeira vez em 1988 e vendeu milhões de exemplares em todo mundo. Foi a porta de entrada de muita gente para os mistérios da Cosmologia, o ramo da Física que estuda a origem do unverso.

Veja como foi a minha experiência com este livro e inspire-se você também…

 

 



 

Como economizar comprando livros!

 

Hoje é dia de vídeo duplo!

Depois de listar as coisas absurdas que as pessoas que gostam de ler ouvem por aí, chegou a hora de responder a uma pergunta que sempre me fazem: como ter mais livros em casa, se eles custam tão caro?

Livros custam caro no Brasil, eu sei. Por isso, reuni neste vídeo algumas estratégias que eu gosto de usar para conseguir comprar livros mais baratos. Confira!

 

 

Livro nº 113: Um Conto de Duas Cidades, de Charles Dickens

 

Eu venho de uma sequência de três resenhas de países diferentes – o francês O Vermelho e o Negro, de Stendhal, o russo Guerra e Paz, de Liev Tolstói, e hoje eu publico uma resenha de Um Conto de Duas Cidades, do inglês Charles Dickens.

E apesar de terem origens tão diversas, nenhum desses clássicos da literatura teria razão de existir se não fosse o mesmo acontecimento histórico, um dos mais bombásticos da história do Ocidente – a Revolução Francesa de 1789.

Violentíssimo movimento de origem popular, a Revolução fez desmoronar em poucos anos o que os historiadores convencionaram chamar de “Antigo Regime”. Era um sistema sustentado pelo tripé Estados Nacionais + Rei Absolutista + Economia Mercantilista, financiada pela colonização (desculpem, professores de História do colégio, se esqueci de alguma coisa).

 

 


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Conforme vimos em O Vermelho e o Negro, a Revolução foi revertida por volta de 1815 pelo movimento da Restauração – que reestabeleceu, na medida do possível, a antiga ordem. Mas os valores políticos da Europa (e, para falar a verdade, do mundo inteiro) nunca mais seriam os mesmos.

Então, vocês podem imaginar como a Revolução Francesa entrou para o imaginário popular do século XIX. Da mesma forma a Segunda Guerra Mundial nos fascina até hoje pela maneira como transformou a mentalidade humana no século XX, a Revolução Francesa fascinava as pessoas no século XIX.

Por isso, em 1859 o escritor inglês Charles Dickens resolveu também publicar a sua história sobre a Revolução Francesa, que ele chamou de Um Conto de Duas Cidades.

 

Retrato de Charles Dickens.

 

Dickens foi um dos autores mais populares da Inglaterra vitoriana, o centro do capitalismo mundial na época.

Toda semana, as pessoas aguardavam ansiosamente pela publicação dos novos capítulos de suas obras, publicadas em folhetins dentro de revistas. Mulheres choravam nos momentos mais emocionantes, homens vibravam e davam socos na mesa nas horas de tensão, e todos davam risada em vários momentos.

Um Conto de Duas Cidades se chama assim porque se passa ao mesmo tempo em Londres – cenário da maioria das obras de Dickens – e Paris por volta da década de 1780, exatamente na época em que estavam fermentando as circunstâncias que levaram à Revolução Francesa.

 

 

Os personagens principais da obra são franceses que se refugiaram na Inglaterra, mas são levados de volta à Paris na época da Revolução.

Há o médico Alexandre Manette, que sofreu um trauma no passado devido a uma prisão injusta; sua filha Lucie Manette, que só conhece o pai depois de adulta; o nobre Charles Darnay, que rejeita os privilégios de nascimento para viver uma vida burguesa no exílio.

Além deles, outros personagens inesquecíveis compõem o complicado tecido social da Revolução. Monsieur e Madame Defarge, os donos de um bar num bairro miserável de Paris, participam das conspirações contra a aristocracia e representam a população revoltada. Outros personagens também simbolizam, de maneira um tanto caricatural, outros setores importantes: a nobreza, a justiça, o campesinato, o trabalhador urbano…

 

A taberna dos Defarge, em Paris.

 

Charles Dickens tinha uma veia para a comédia que é visível mesmo nos momentos mais dramáticos de Um Conto de Duas Ciades. Meste da ironia, do uso da linguagem e da exploração de situações, ele conseguia criticar como ninguém os vícios da sua realidade e, através disso, ensinar lições de cunho moralizante.

Uma leitura divertida, emocionante, que prova que um livro não precisa ser “chato” para ser clássico – os mais mirabolantes e rocambolescos também podem entrar para a História como literatura de primeira qualidade.

 

Livro nº 112: Alice Através do Espelho, de Lewis Carroll

 

Inglaterra, 1871. Seis anos depois do sucesso de Alice no País das Maravilhas, o livro que redefiniu a literatura infantil do século XIX, o escritor inglês Lewis Carroll surpreendeu os seus leitores com mais uma ousadia literária: a continuação Alice Através do Espelho (E o Que Ela Encontrou Lá).

E o intervalo de tempo entre as duas publicações resultou em várias diferenças.

 

 


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Se Alice no País das Maravilhas tem uma atmosfera absurda e mágica, esse clima muda um pouco quando Alice descobre o mundo Através do Espelho – onde a lógica, a linguagem e a estratégia são muito mais solicitadas.

É uma história de inverno, e não mais de verão. Enquanto a neve cai, Alice brinca na sala de casa com suas gatinhas (lembra da Diná? Ela teve filhotes!).

Na sala, há uma lareira acesa, um tabuleiro de xadrez e também um grande espelho – que Alice, como todas as crianças, gosta de ficar olhando por horas e imaginando que ele revela outra casa, um “mundo invertido”.

Mas estamos falando de Alice, a menina que perseguiu o coelho branco. Ela está tão curiosa em descobrir o que há do lado lá, que resolve simplesmente atravessar o espelho e ver com os próprios olhos.

 

Alice atravessando o espelho, em ilustrações colorizadas do século XIX.

 

Como você deve se lembrar, na sua primeira aventura, Alice descobriu um País governado por cartas de baralho – com direito a uma soberana temperamental, a Rainha de Copas. Pois agora, ela descobre que o mundo Através do Espelho é organizado pelas regras de outro jogo: o xadrez.

As peças do tabuleiro na sala crescem e ganham vida; os campos cultivados ao redor da casa ficam quadriculados; a própria Alice é investida de uma função no jogo – substituir um dos peões brancos.

E assim, com muito mais rigor e precisão do que no primeiro livro, Lewis Carroll constrói a estrutura da narrativa como se fosse uma grande partida de xadrez.

Para vencer, Alice deve sair da segunda casa e atravessar todo o tabuleiro – encontrando no caminho, é claro, uma série de personagens que desafiam o senso comum e representam outras peças na partida. Se chegar à última casa, Alice se transformará numa Rainha e poderá, quem sabe, dar o xeque-mate no adversário.

 

Tweedledee e Tweedledum: personagens originais só do 2º livro, diferentemente do que mostra a adaptação da Disney.

 

Há quem diga que o Alice Através do Espelho representa a passagem da infância para a vida adulta. É importante lembrar que Alice Liddell, a menina real que inspirou a história, já não era uma criança quando Lewis Carroll escreveu este livro: ela já tinha quase 20 anos.

É sempre difícil decifrar com certeza o que se passava na cabeça de Carroll, um homem introspectivo e considerado excêntrico por todos que o conheciam. Mas pode ser que os desafios do tabuleiro de xadrez que Alice encara nada mais sejam do que metáforas dessa passagem.

Afinal, de todas as aventuras que uma criança precisa enfrentar, crescer é provavelmente a mais difícil. Uma jornada cheia de obstáculos e, por que não, cheia de absurdos também.

 

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