Livro nº 140: Uma Criatura Dócil, de Fiódor Dostoiévski

 

Nem todo mundo sabe, mas o escritor russo Fiódor Dostoiévski, famoso por calhamaços filosóficos como Crime e Castigo e Os Irmãos Karamázov O idiota, também teve destaque no campo das narrativas curtas.

Geralmente, são aqueles contos que a gente consegue terminar de ler em uma tarde, mas que nos dão uma porrada tão forte no estômago que ficamos sem ar por muitos dias. É exatamente o caso de Uma Criatura Dócil.

 

 


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Uma Criatura Dócil, com tradução de Fátima Bianchi para a editora Cosac Naify, está indisponível desde o fechamento da editora. Mas você pode encontrar o conto no volume Duas Narrativas Fantásticas, da editora 34:
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Dostoiévski publicou este trabalho na última fase da carreira, no ano de 1876. A esta altura, ele já tinha se tornado um autor reconhecido pelos seus grandes romances, podendo realizar o desejo antigo de dirigir própria revista. Batizada Diário de um Escritor, o veículo se notabilizou tanto quanto os romances, protagonizando os mais importantes debates intelectuais de seu tempo.

Mas também havia espaço reservado à ficção, como é o caso de Uma Criatura Dócil. No enredo, um agiota sem escrúpulos se torna viúvo repentinamente e decide refazer, num relato febril, o caminho do próprio matrimônio desde o primeiro encontro até a morte trágica da jovem esposa.

Como em outras obras do escritor, desespero e culpa marcam o tom na narrativa. Aliás, poucos autores na história da literatura conseguiram reproduzir tão bem os caminhos tortuosos da agonia humana quanto Dostoiévski.

Enquanto agiote tenta entender a morte da mulher, nós leitores somos nos debatemos a cada página, como marionetes frouxas, tentando nos manter de pé e não cair nos artifícios de argumentação deste homem atormentado pela culpa.

Quem afinal de contas é o culpado pela morte da mulher? Essa história poderia ter desfecho diferente?

É difícil terminar a leitura de Uma Criatura Dócil sem sentir um gosto de amargo de bile na boca. Mas tem horas que é exatamente desse tipo de literatura que você mais precisa.

Livro nº 139: O livreiro de Cabul, de Asne Seierstad

 

Nova York, 11 de setembro de 2001. Quando Osama bin Laden comandou o ataque às torres gêmeas do World Trade Center, o mundo abriu os olhos para a atuação de uma das organizações terroristas mais perigosas dos últimos tempos: a Al Qaeda. O grupo, descobriu-se depois, era apoiado pelo governo do Afeganistão, na época comandado por uma facção político-religiosa chamada Talibã.

Cabul, novembro de 2001. A reação aos ataques nos Estados Unidos foi imediata. Em poucas semanas, o exército americano colocou fim à ditadura militar e religiosa do Talibã, que havia cinco anos violava os direitos mais básicos de homens e mulheres afegãs sem que quase ninguém no Ocidente soubesse ou se importasse.

Com o exército, vieram também os jornalistas de guerra de todas as partes do mundo. Entre eles, uma norueguesa chamada Asne Seierstad.

Por algumas semanas, Asne acompanhou a movimentação de soldados americanos pelos campos minados do interior do Afeganistão. Mas, depois que o Regime Talibã finalmente caiu, ela se mudou para a Cabul e fez amizade com um tipo muito incomum de comerciante num país onde três quartos da população não sabe ler: um livreiro.

 

 


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Foram meses de convivência, tanto com o livreiro quanto com sua família – as duas esposas, os filhos, sobrinhos e primos. Por ser mulher, Asne teve acesso à intimidade da ala feminina de uma família afegã, um privilégio reservado a muito poucos.

Uma típica mulher afegã, nos dias atuais, não tem segurança para sair à rua sozinha, deve esconder-se sob burcas quentes e apertadas toda vez que sai de casa, e só tem permissão para conversar em particular com homens de sua própria família. As infratoras correm o risco de sofrer abuso sexual, espancamentos e mutilações. Ou, simplesmente, de serem assassinadas.

O resultado da viagem de Asne Seierstad na capital do Afeganistão é um livro-reportagem desconcertante. Leitores de todo o planeta, que fizeram de O Livreiro de Cabul o maior best-seller de não ficção da literatura norueguesa, se perguntaram: como é possível que o mundo ainda submeta mulheres a tanto perigo, humilhação e dependência?

Uma leitura que lançou luz sobre uma cultura milenar e castigada por guerras que já duram décadas. Dezesseis anos depois, O livreiro de Cabul continua sendo uma obra atual e necessária.

 

A Festa de Babette e Um, dois e já – Livros #137 e #138

 

Nessa semana, li dois livrinhos curtos, ambos escritos por mulheres.

A Festa de Babette, da dinamarquesa Karen Blixen, foi publicado em 1958 dentro do volume “Anedotas do Destino”. Em 1987, o filme baseado na história ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e consagrou o conto, já clássico na literatura dinamarquesa, entre audiências do mundo inteiro.

E, mais ou menos na mesma década em que as pessoas riam e se emocionavam com essa encantadora narrativa sobre comida, uma menina viajava de carro com a família pelas estradas do Uruguai. Esta é a tênue linha condutora de Um, dois e já, o primeiro livro da escritora uruguaia Ines Bortagaray a ser publicado no Brasil.

Enquanto disputa com os (muitos) irmãos por um lugar na janela, a menina devaneia sobre a vida, os amigos e a família. Quem são essas pessoas? Rumo ao que (ou a quem) elas estão fugindo?

Tanto A Festa de Babette quanto Um, dois e já são obras para ler de uma vez só, e passar algum tempo refletindo sobre as complicadas relações humanas que elas delicadamente articulam. Ambos foram comprados no saldão Cosac Naify da Amazon, e ficarão indisponíveis – sabe-se lá por quando tempo – quando se esgotarem. Por isso, aproveite!

 

 

Antígona e Édipo Rei, as tragédias de Sófocles (Livros #135 e #136)

 

Sófocles foi um dos dramaturgos mais respeitados da antiguidade grega. Sua “trilogia tebana” – composta pelas peças Édipo Rei, Édipo em Colono e Antígona – contém algumas das tragédias mais interpretadas de todos os tempos.

Quem acompanha o meu trabalho aqui no canal já me ouviu falar várias vezes que eu tenho resistência em ler peças de teatro; em geral, eu prefiro esperar a oportunidade de assisti-las no palco, mesmo.

Mas as peças de Sófocles são tão clássicas, e tão importantes de se ler antes de morrer, que resolvi abrir uma exceção. Com vocês, Antígona e Édipo Rei – duas das peças de teatro mais importantes da História da humanidade.

 

 


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* No vídeo Édipo Rei – pule direto para Diário de Leitura de Anna Kariênina: 15:40

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– Trilogia Tebana (Édipo Rei + Édipo em Colono + Antígona
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– Anna Kariênina, de Liev Tolstói
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Livros Clássicos Para Ler em 1 Dia

 

E aí, como anda a sua meta de leitura?

Já estamos no segundo semestre, então você já deve ter lido pelo menos metade daqueles trinta ou quarenta livros que você prometeu para si mesmo na Virada do Ano, certo?

O que, errado?! Não se desespere. Atendendo a pedidos, preparei uma listinha de livros clássicos – coisa boa, de qualidade mesmo – que você pode ler em poucas horas (ou, na pior das hipóteses, em pouquíssimos dias).

É para colocar a sua meta de leitura em dia, hein! Aproveite:

 

 


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O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway
A Metamorfose, de Franz Kafka
O Veredicto. Na colônia penal, de Franz Kafka
Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol
O fantasma de Canterville, de Oscar Wilde
As mentiras que os homens contam, de Luis Fernando Verissimo
O alienista, de Machado de Assis
A morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói
Alves & Cia, de Eça de Queirós
Antígona, de Sófocles
O auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente
A morte e a morte de Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado
O papel de parede amarelo, de Charlotte Gilman
A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade


Livro nº 134: Os Velhos Marinheiros, de Jorge Amado

 

Os velhos marinheiros ou O capitão-de-longo-curso?

Um livro de nome duplo, que confusão! Mas o estilo inconfundível de Jorge Amado – um dos meus escritores nacionais favoritos – está garantido em cada linha, não importa como você queira chamar o livro.

Confira a resenha e embarque no paquete de comandante Vasco!

 

 


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Os Velhos Marinheiros ou O Capitão-de-longo-curso, de Jorge Amado
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Book Haul – livros recebidos no mês de junho

 

Abrindo os trabalhos no mês de Julho, é chegada a hora do nosso quadro Book Haul – que mostra todos os livros que chegaram à minha caixa do correio!

Neste mês, o destaque foi do Grupo Editorial Record, que me mandou uma caixa cheia de lançamentos. Assista e descubra qual foi o meu preferido:

 

 


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Compre as sugestões do Book Haul e ajude o canal:
Trilogia Farroupilha – Leticia Wierzchowski
A Casa das Sete Mulheres
Um Farol no Pampa
Travessia
O Leopardo – Tomasi di Lampedusa
Cenas Londrinas – Virginia Woolf
A Senhora de Windfell Hall – Anne Brontë
Uma Vez – Morris Gleitzman
Contato – Carl Sagan
Assim na Terra Como Embaixo da Terra – Ana Paula Maia
Minha Vida Fora dos Trilhos – Morris Gleitzman

Quer rever alguma resenha do mês de junho?
– Livro #129: Quando Nietzsche Chorou, de Irvin Yalom
– Livro #130: Guerra dos Mundos, H. G. Wells
– Livro #131: As Rãs, de Mo Yan
– Livro #132: Minha Vida de Menina, de Helena Morley
– Livro #133: O Corpo Fala, Pierre Weil e Roland Tompakow

Livro nº 133: O Corpo Fala, de Pierre Weil e Roland Tompakow

 

Às vezes, quando a gente fala, o rosto e o corpo revelam mais sobre a gente do que as palavras.

Mas e quando as pessoas estão determinadas a esconder o que sentem? Como desvendar estes sinais que o corpo revela para a gente?

Este é o desafio de O Corpo Fala, de Pierre Weil e Roland Tompakow. Um livro adotado por atores, jornalistas, assistentes sociais, psicólogos, profissionais de recursos humanos e por todo mundo que quer entender a linguagem secreta do corpo…

Uma resenha divertidíssima de fazer, ótima para aumentar o portfólio de resenhas de não-ficção do canal Ler Antes de Morrer. Confira!

 

 


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Livro nº 132: Minha Vida de Menina, Helena Morley

 

Todo mundo conhece o Diário de Anne Frank, mas você já ouviu falar do diário de Helena Morley?

Ele foi publicado com o título Minha Vida de Menina e faz parte atualmente da lista de livros obrigatórios do vestibular da Fuvest. Acho que a primeira vez que um livro dessa lista foi escrito por uma pessoa que tem idade parecida com os estudantes!

 

 


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Se bem que é meio arriscado afirmar que este diário é obra original de uma adolescente.

Helena Morley – pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant – só publicou seus escritos de infância quando tinha cerca de 60 anos de idade. Os manuscritos originais, no entanto, nunca foram trazidos a público. Ou seja: não há como ter se certeza se ela fez alguma alteração neles.

 

Alice Dayrell em diferentes fases da vida.

 

Mas de qualquer forma, Minha Vida de Menina é um dos livros mais espontâneos e naturais que eu já li. Tudo contado do ponto de vista de Helena, uma menina de 13 anos, filha de um imigrante inglês com uma brasileira, em Diamantina, na década de 1890.

Menina inteligente, atrevida e rebelde, Helena enxerga o mundo de uma forma inocente e ao mesmo tempo cheia de indignação.

 

Retrato da família Morley no filme Vida de Menina (Direção Helena Solberg, 2003)

 

Sem nenhuma pretensão, com leveza e simplicidade, Minha Vida de Menina consegue cutucar em algumas das feridas mais dolorosas da história do Brasil: a escravidão, a desigualdade, a miséria…

Uma leitura obrigatória não só para os vestibulandos, para para todos os brasileiros.

 

Livro nº 131: As Rãs, de Mo Yan

 

Minha primeira experiência com a literatura chinesa!

As Rãs é uma das obras mais aclamadas de Mo Yan – pseudônimo do escritor Guan Moye, de 62 anos – o primeiro chinês residente a ser receber o Prêmio Nobel de Literatura.

Um relato fascinante e carregado de humor negro sobre a Política do Filho Único na China. Uma das leituras mais interessantes do ano! Confira a resenha:

 

 


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