Vitrine: Biografias Misturadas, de Luis Antonio Siqueira Dias

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Finalmente chegamos ao último vídeo do ano!

E que ano difícil foi 2016! Tanto na política quanto na economia, tanto dentro como fora do Brasil, e até em coisas banais como no anúncio do prêmio Nobel de Literatura (Bob Dylan, gente? Até agora não entendi), este ano talvez não vá deixar ninguém com saudades.

Mas, se existe notícia boa em 2016, pelo menos podemos comemorar que este foi um ano de muito sucesso e crescimento para o projeto Ler Antes de Morrer!

Subimos de 25 para 77 mil inscritos; publicamos 127 vídeos – sendo 55 deles resenhas literárias, 11 Book Hauls, 4 colaborações com outros Youtubers, além de inúmeros sorteios.

E como o Ler Antes de Morrer dá espaço tanto para os grandes clássicos como para os novos talentos da literatura, vamos fechar o ano com mais um episódio (o décimo quarto, para ser mais preciso) do quadro Vitrine Ler Antes de Morrer!

 

 


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O livro de hoje se chama “Biografias Misturadas”, e o autor, Luis Antonio Siqueira Dias é um advogado e economista de longa trajetória profissional, inclusive na política e na mídia.

Por isso, não é de se estranhar que o “Biografias Misturadas” seja uma história com uma grande, uma enorme dose de política. Tudo gira em torno da vida de um político aposentado que vive numa fazenda no interior. O nome dele Giorgio di Fiorentina, e entre várias ocupações ele chegou a ser Ministro do Meio Ambiente.

Boa parte do livro é composta por uma longa entrevista que ele dá a uma jornalista que está escrevendo sua dissertação de mestrado. Nessa primeira etapa, o livro é praticamente uma autobiografia, em que descobrimos que Giorgio não era exatamente o mais perfeito dos cidadãos.

Empresário fracassado, marido abandonado, pai ausente. Giorgio passou boa parte da sua juventude levando uma vida sem muita criatividade e tomando muitas decisões desastrosas. Após amargar um período no fundo do poço, ele reencontra o rumo entrando para a política. Talvez fosse a única carreira que o acolhesse, afinal de contas.

Depois de anos de fracassos e falências, é no ambiente corrupto e ensaboada da política, primeiro local e depois nacional) que Giorgio di Fiorentina finalmente consegue prosperar… mas entre muitos altos e baixos.

O que parece ser apenas a história da vida de um homem, na verdade é muito mais. Várias vidas são encadeadas numa teia de ações e consequências imprevisíveis, que convidam a refletir sobre a natureza humana.

 

Missa do Galo, um conto de Natal por Machado de Assis – resenha nº 110

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Houve um tempo em que ninguém celebrava ceias de Natal. Ninguém trocava presentes, o tio de meia-idade não fazia a piada do “é pavê ou pacomê?”, os parentes não se sentavam em volta de uma mesa cheia de comidas salpicadas de uva passa.

E nem faz tanto tempo assim, em termos históricos: no Rio de Janeiro, século XIX, noite de Natal era noite para ir dormir cedo como qualquer outra.

Exceto, é claro, se você queria ir assistir à Missa do Galo.

 

 


Missa do Galo, de Machado de Assis
Link para ler online: http://www.portugues.seed.pr.gov.br/arquivos/File/leit_online/machado108.pdf
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Quando o sr. Nogueira, estudante de 17 anos, se preparava para assistir à Missa do Galo num 24 de dezembro do ano de 1862, ele não imaginava que a última coisa que ele em que pensaria naquela noite seria o nascimento de Jesus Cristo.

Conceição entrou na sala sorrateiramente, ou assim pareceu ao rapaz. Ela era a esposa do Meneses, o parente do sr. Nogueira que tinha concordado em hospedá-lo durante aquele ano, enquanto ele fazia os estudos preparatórios para a universidade.

Por sua natureza dócil e discreta, Conceição nunca tinha merecido nenhuma opinião mais atenta do rapaz – aliás, de ninguém. Chamavam-lhe “santa”, porque aceitava resignadamente a vida dupla que seu marido levava sem disfarçar. Quando ele saía dizendo que ia “ao teatro” – coisa que acontecera naquela noite de Natal -, todos na casa sabiam: ele ia visitar a outra.

Mas, naquela noite, a “santa” foi diferente. Abandonou por um instante o papel apagado do dia-a-dia e revelou-se em matizes fortes, originais e misteriosos. Um verdadeiro “milagre de Natal”, que aquele rapaz de 17 anos jamais esqueceria.

 

Livros para Ler no Natal (com colaboração de Tatiany Leite)

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Natal é tempo de ler!

A linda Tatiany Leite, que já participou da turma do canal Cabine Literária e hoje comanda o Vá Ler Um Livro, sentou ao meu lado para falar de livros que têm tudo a ver com o Natal.

E você? Quais livros te lembram o Natal?

 

 


Livros indicados no vídeo – os que não estão aí estão disponíveis 🙁
Através do Espelho, Jostein Gaarder
A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Roald Dahl


 

Herdeiros do Caos, de L. R. Lima (Vitrine)

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Herdeiros do Caos é um romance de aventura que tem como protagonista o paramédico William, cuja rotina consiste em fazer atendimentos de emergência nas ruas de Porto Alegre.

Um dia, William atende a um chamado num bairro perigoso da cidade e cai numa emboscada. Ele é atacado por uma criatura assustadora, meio homem, meio gigante, que mata o cara que trabalha com o William na mesma ambulância mas, por algum motivo, larga o moço para trás com vida. Todo quebrado, mas com vida.

 

 


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Site oficial: http://www.lrlima.com
BookTrailer completo: https://youtu.be/fyAl4Krfc7g
Fale com o autor: writer@lrlima.com


 

Quando William acorda um tempo depois no hospital, ninguém acredita nele. Também, sair gritando “Fui atacado por um gigante!” não é das coisas mais sensatas a se fazer. Não recomendo.

E, para piorar a sensação de que ele estava ficando maluco, o paramédico tem a sensação também de que está desenvolvendo poderes estranhos – ele tem umas visões, começa a quebrar vidros no banheiro com a mente…

Confuso, William volta ao lugar do ataque em busca de respostas. E consegue, na figura do misterioso Werkhouser, oficial da Unidade de Combate de Especial que estava atento ao rapaz desde o dia do ataque. William descobre que realmente foi atacado por uma criatura sobrenatural, que faz parte de uma seita antiga e secreta. E mais: é convocado para se aliar ao exército que vem se dedicando, ao longo dos anos, a derrotá-la.

Herdeiros do Caos é uma jornada do herói clássica, com elementos de ação, fantasia e suspense. Ideal para presentear adolescentes nesse Natal!

 

Livro nº 109: O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

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Nessa semana eu tive a ideia de escrever algumas charadas literárias. Da leitura de hoje, eu bolei a seguinte:

 

Pela beleza, se for preciso
Minto, roubo, engano e mato
Diante da fonte, morreu Narciso
Mas eu não resisto ao meu retrato.

 

Teste os seus amigos! Veja se eles adivinham quem é.

Mas, antes, não deixe de ver a resenha, é claro:

 

 


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O retrato de Dorian Gray é o único romance publicado pelo irlandês Oscar Wilde, que também ficou famoso por suas peças de teatro, contos, ensaios e críticas.

O romance se passa na Inglaterra, no final do século XIX, mas possui pelo menos duas referências mitológicas bem mais antigas.

 

Representação de Narciso.

Representação de Narciso.

 

A primeira é o mito de Narciso – o rapaz grego que se apaixona pela própria imagem refletida numa fonte de águas cristalinas, e passa o resto dos seus dias debruçado sobre seu reflexo até definhar e morrer.

Já a segunda é a lenda do dr. Fausto, que teria sido um personagem real que viveu na Alemanha no final da Idade Média e inspirou diversas versões por todo o mundo, como a do dramaturgo alemão Goethe, do russo Púchkin, do romancista Thomas Mann e até do poeta Fernando Pessoa.

Diz a lenda que dr. Fausto vendeu a alma ao demônio em troca de uma vida de juventude, poder e prazeres. Ele teria tido várias oportunidades de se redimir e pedir perdão a Deus, mas foi orgulhoso demais para aproveitá-las.

 

Representação de Fausto sendo tentado pelo Diabo.

Representação de Fausto sendo tentado pelo Diabo.

 

Dialogando com estas duas histórias, Oscar Wilde apresenta em tom gótico e filosófico o drama de Dorian Gray, um jovem muito belo que se apaixona pelo próprio retrato, pintado pelo amigo e artista Basil Hallward.

O papel do demônio, aqui, talvez seja representado pelo personagem do Lorde Herny Wotton, cuja influência sobre Dorian tem grande relevância para que o jovem sele um pacto sinistro: em troca de juventude eterna, ele concorda em abrir mão de sua alma para que apenas o retrato envelhecesse.

 

Ben Barnes como Dorian Gray, em adaptação de Oliver Parker (2009).

Ben Barnes como Dorian Gray, em adaptação de Oliver Parker (2009).

 

Oscar Wilde afirmou muitas vezes em sua vida, no entanto, que ele não acreditava em influências. Assim como também não acreditava que uma obra de arte poderia ser responsabilizada por ensinar lições de moralidade ou imoralidade.

Adepto do movimento artístico e filosófico do Esteticismo, Wilde defendia que a única função da sua literatura era ser bela, inteligente, instigante. Ele recusava qualquer tipo de ensinamento moral, que certamente muitos leitores, até os dias de hoje, procuram extrair da aterrorizante experiência de Dorian Gray.

Ainda assim, O retrato de Dorian Gray permanece sendo um dos clássicos mais populares da literatura inglesa, com uma infinidade de interpretações que até hoje instigam e conquistam novos admiradores.

 

(Vitrine) O homem de duas cidades, Felipe Cherubin

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“O Homem de Duas Cidades”, de Felipe Cherubin, foi, provavelmente, o livro mais desafiador que eu já tive a oportunidade de resenhar para o quadro Vitrine Ler Antes de Morrer. A obra está concorrendo ao Prêmio Kindle de Literatura 2016 e figura como um dos melhor avaliados na página do concurso.

“O Homem de Duas Cidades” é uma narrativa filosófica, reflexiva e recheada de referências culturais sofisticadas, como religião, mitologia e literatura.

É preciso prestar muita atenção nos detalhes para não se perder. E mesmo assim, em vários momentos a gente se sente sem respostas. Mas tudo é proposital. Afinal, o protagonista é um homem que vive em permanente confusão mental.

 

 

A linha condutora do romance é o relacionamento entre uma moça chamada Isabella e seu misterioso vizinho, Seth.

O primeiro encontro dos dois não é nada convencional. Isabella está deitada na linha de um trem – o que ela está fazendo lá, não está claro. Imagino que esteja tentando se matar; se não for isso, a moça deve estar realmente vivendo uma fase tão difícil na vida, para não se incomodar em colocá-la em risco dessa maneira.

 


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Enquanto ela está deitada, passa no local Seth acompanhado de seu cachorro, Zeus. Um pedaço de papel cai da mochila dele e é recolhido por Isabella, que não sabe se aquilo tinha sido jogado para ela de propósito ou sem querer. São reflexões e questionamentos escritos à mão, que provocam profunda impressão na moça e mudam sua vida para sempre.

Nesse dia começa uma espécie de conversa por correspondência entre os dois. Logo, o relacionamento evolui para algo meio amoroso, meio reverencial, muito doutrinário e intenso.

Mesmo apaixonada, Isabella rapidamente percebe que Seth é um rapaz perturbado. Demora algum tempo para ela conhecer detalhes sobre o passado dele, e sobre sua suposta doença mental – talvez bipolaridade, mas isso não fica claro.

Sem se importar com mais nada, Isabella decide ajudá-lo; mas parece que ela é quem é mais ajuda por ele. Em alguns momentos, Seth dá a impressão de ser um louco que não faz sentido nenhum. Mas, em muitos outros, parece que ele é a pessoa mais lúcida da Terra.

Produzir literatura não convencional, sem as divisão clara de “começo, meio e fim”, sem definição óbvia de vozes narrativas, sem se prender às amarras da racionalidade – tudo isso é muito difícil. E arriscado.

Se você gosta de filosofia, de se sentir desafiado, e sobretudo se você gosta de caminhar sobre aquela “mureta” que separa a loucura da lucidez, você deve colocar “O Homem de Duas Cidades” em sua lista de leituras.

 

Livro nº 108: 1984, de George Orwell

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O livro dessa semana é a melhor e a mais influente distopia do século XX – pelo menos, na minha opinião.

Você talvez nunca tenha lido, ou talvez nem tenha ouvido falar de 1984, de George Orwell. Mas eu tenho certeza de que você conhece o seu subproduto mais famoso: o reality show Big Brother.

 


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George Orwell, também conhecido por ter escrito A Revolução dos Bichos, foi um jornalista britânico corajoso, talentoso, e difícil classificar.

O senso comum diz que ele foi um escritor que escreveu obras críticas ao socialismo soviético, e que portanto seria um defensor do sistema capitalista. Mas esta é uma simplificação tosca da propaganda norte-americana durante a Guerra Fria; grandes escritores são artistas complexos, às vezes contraditórios, e que nunca se encaixam em rótulos fáceis.

Em 1984, mais uma vez, George Orwell está fazendo uma defesa à liberdade.

 

1EN-625-B1945 Orwell, George (eigentl. Eric Arthur Blair), engl. Schriftsteller, Motihari (Indien) 25.1.1903 - London 21.1.1950. Foto, um 1945.

Retrato de George Orwell.

 

Ele imagina uma sociedade no futuro – mais precisamente, em 1984, 35 anos depois da publicação do livro – onde já não restou nenhuma liberdade individual.

O protagonista Winston Smith trabalha como funcionário público do governo – um enorme, repressivo e tirânico governo liderado por uma figura central: O Grande Irmão.

Tudo se passa na cidade que, no passado, tinha sido Londres. O planeta agora divide em apenas três países – superpotências que, ao que tudo indica, são todas comandadas por governos totalitários.

 

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A função de Winston é editar as antigas edições dos jornais, alterando reportagens para que todos os registros do passado estejam de acordo com as diretrizes do governo e do Grande Irmão.

E a vida dele muda quando ele se apaixona por Julia, uma colega de trabalho. Além de criminoso (porque os relacionamentos amorosos são proibidos nessa nova sociedade), este amor vai levar Winston para um caminho sem volta: a rebelião contra o Grande Irmão.

 

Livro nº 107: O Vermelho e o Negro, de Sthendal

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“O Vermelho e o Negro” de Stendhal. Um clássico importantíssimo na literatura universal, que está no mesmo patamar de livros como “Os Miseráveis”, de Victor Hugo ou “Guerra e Paz”, de Lev Tolstói.

Stendhal, na verdade, era um dos muitos pseudônimo usados pelo autor Henri-Marie Beyle, um francês que lutou no exército de Napoleão Bonaparte e, depois da queda dele, foi para o exílio e começou a escrever textos subversivos – como este livro.

“O vermelho e o negro” foi publicado em 1830 em Paris, mas uma nota do editor na primeira página diz que ele provavelmente foi escrito antes, em 1827.

 

 

A obra é uma crônica dos costumes, do momento político e das tensões sociais de um período muito específico da História da França. Mas, mesmo assim, ela continua sendo lida com fascinação por leitores de todas as épocas e todos os países. Como isso é possível?

Talvez a explicação esteja na complexidade e sofisticação do personagem principal, o seminarista Julien Sorel.

Julien é um rapaz muito bonito e inteligente, mas que tem aquele defeito terrível para aquela época: ele nasceu pobre. Melhor dizendo: ele nasceu plebeu – sem sangue azul. Isso significa que não importava que ele tivesse talento. Julien nunca poderia ambicionar nem poder, nem prestígio.

Mas Julien Sorel não seria um dos maiores personagens da literatura mundial se ele tivesse aceitado este destino. É claro que não.

 

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Retrato de Stendhal.

 

A palavra-chave para entender Julien é “ambição”: ele calculista, hipócrita, estrategista.

Assim como o seu grande herói, o general Napoleão Bonaparte, Julien quer usar sua inteligência e talento para ascender socialmente e se tornar um homem poderoso. Julien é um protagonista ambíguo e contraditório – daqueles que ora a gente ama, ora a gente odeia.

Sem se preocupar muito com a ação propriamente dita, o romance revolucionou a literatura europeia por explorar os pensamentos, reflexões e conflitos psicológicos dos personagens.

Não é à toa que “O vermelho e o negro” continua fascinando leitores qua já não sabem nada sobre a política da França em 1830, e que ele inspirou escritores do calibre de Dostoiévski, Hemingway e muitos outros grandes nomes da literatura mundial.