46º livro: Contos de imaginação e mistério, Edgar Allan Poe

 

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Já que amanhã é dia 31 de outubro, o livro que eu escolhi pra ler nessa semana tem tudo a ver com o Dia das Bruxas.

O autor desse livro é simplesmente o cara que inspirou todos os escritores de mistério e terror que a gente conhece hoje em dia. Um escritor que escrevia contos tão tenebrosos, e tão bem ambientados, que quando a gente lê a sensação é de estar assistindo a um filme do Alfred Hitchcock.

Eu estou falando, é claro, do escritor americano Edgar Allan Poe e seus “Contos de Imaginação e Mistério”.

 

 

O Allan Poe foi um grande pioneiro em vários estilos literários. Em apenas 40 anos de vida, ele deixou uma obra profunda e inigualável, não só de contos, mas também de poesia, romance, ensaios e crítica literária.

Um desses estilos foram as histórias de detetives modernas, que inspiraram a criação de personagens como o Sherlock Holmes e muitos outros detetives do cinema e da TV.

 

Retrato de Edgar Allan Poe.

Retrato de Edgar Allan Poe.

 

Mas também tem histórias de vingança, histórias de amor, suspenses psicológicos, histórias sobrenaturais – e, acima de tudo, muitas, muitas histórias de terror.

 


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Contos de Imaginação e Mistério
Histórias extraordinárias
Assassinatos na Rua Morgue


 

 

E o mais importante é que os contos do Edgar Allan Poe quase sempre vão muito além do puro entretenimento. A maioria deles tem significados simbólicos muito sofisticados, que são estudados em universidades do mundo inteiro.

Se você nunca leu nada do Poe, comece pelos seguintes contos, que na minha opinião mais fáceis para o iniciante (mas não menos fascinantes):

 

Assassinatos na Rua Morgue: conto que entrou para a história por ser o precursor das histórias modernas de detetive – com a clássica enredo organizado em torno da descoberta do crime, seguida pela investigação das pistas e dos suspeitos, e no final a revelação do criminoso.

O poço e o pêndulo: este conto me lembrou muito a série filmes “Jogos Mortais”, embora seja, na verdade, bem melhor do que a franquia. O protagonista é um homem que, ao acordar, se descobre preso numa masmorra. E descobre que precisa tentar escapar de uma série de engenhosos métodos de tortura.

A máscara da Morte Vermelha: um dos poucos contos do Allan Poe narrado em terceira pessoa. Com ares de fábula, ele conta a história de um príncipe de um reino próspero que, ao ver seus súditos acometidos por uma peste batizada “Morte Vermelha”, resolve se esconder do perigo com toda a sua corte numa fortaleza blindada.

Enterro Prematuro: de tanto temer ser enterrado vivo, um homem que sofre de catalepsia (doença que provoca crises em que o paciente pode ser confundido com um cadáver) acaba vivendo a mais apavorante das experiências: um dia, ele desperta num caixão duro e apertado, com cheiro de umidade típica de quem está a sete palmos do chão!

O gato preto: depois de cair no vício do álcool, um homem não consegue controlar mais a sua perversidade e acaba cometendo os mais tenebrosos crimes. Mas a sua principal vítima acaba se tornando também o seu maior algoz: um gato preto!

 

É a semana de Halloween!

 

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Você gosta de literatura de terror e horror?

Eu confesso que sou muito medrosa… mas isso já está começando a mudar! Confira minha relação com os livros mais assustadores do mundo em mais um vídeo inédito!

 

 


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Drácula (Bram Stoker)
Frankenstein (Mary Shelley)
O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë)
A Outra Volta do Parafuso (Henry James)


 

45º livro: São Bernardo, de Graciliano Ramos

 

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Quais são as qualidades de um empreendedor de sucesso?

O Paulo Honório é daqueles empresários que tem tudo – ele tem iniciativa! ele é dinâmico! não tem medo de correr riscos! é perseverante e tem liderança!­

Ele veio de baixo, sem nem um tostão bolso e se tornou fazendeiro de sucesso interior do Nordeste. Se fosse nos dias de hoje, as revistas de negócios escolheriam o Paulo Honório como o “empresário do ano”.

 

 


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Mas nós não estamos falando de uma pessoa de verdade, nem de uma propaganda de TV e nem livro de auto-ajuda. Paulo Honório um personagem. O personagem principal do romance “São Bernardo”, que para muitos é o mais importante livro do Graciliano Ramos – um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

Então, como você pode imaginar, a história de sucesso do Paulo Honório não poderia ser tão perfeita assim.

 

Othon Bastos em "São Bernardo (1971). Direção: Leon Hirszman

Othon Bastos em “São Bernardo (1971). Direção: Leon Hirszman

 

O “self-made man” do Sertão passa por cima de tudo e de todos para conseguir o que quer. Inclusive, por cima da ética.

Perseverante, eficiente, corajoso, líder. O Paulo Honório é tudo isso. Mas também é corrupto, violento, explorador, egoísta e muitas outras maneiras, criminoso.

Em tempos de escândalos de corrupção por toda parte nos noticiários, uma das melhores maneiras de tentar entender o Brasil é voltando às histórias do passado.

 

Graciliano Ramos.

Graciliano Ramos.

 

Produzida há mais de oitenta anos, a literatura de Graciliano Ramos continua sendo atual, necessária e muito mais lúcida do qua a maioria das análises que se vê por aí sobre os problemas do Brasil.

É pena que tantas brasileiros ainda pensem nos seus livros como aquelas obras chatas que a gente era obrigado a ler nos tempos da escola.

44º livro: A Cidade e as Serras, Eça de Queirós

 

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Quando eu estava no colégio, eu lembro que eu fui uma das poucas alunas da minha classe q

ue gostou de ler “A Cidade e as Serras”, do Eça de Queirós. O livro fazia parte da lista de livros obrigatórios para o Vestibular da Fuvest, e voltou a ser exigido no exame deste ano.

 

 


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A maioria dos meus colegas achou esse livro um chatice… e para falar a verdade, essa é a opinião da maioria dos estudantes brasileiros sobre as obras do Eça de Queirós.

Sempre achei isso é uma grande injustiça. Se não fosse pelo fato de que os livros dele são escritos no português difícil de Portugal do século XIX, talvez mais estudantes percebessem que ele foi um escritor corajoso, inteligente e bem-humorado.

O livro que me ajudou a perceber isso é curtinho, pouco maior do que um conto – chama-se “Alves e Cia”, e fala sobre um advogado que descobre que a esposa o trai. Eu recomendo para todo mundo que quiser perder o preconceito sobre o Eça de Queirós!

 

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Esse mesmo bom humor e inteligência é possível encontrar também em “A Cidade e As Serras”. A diferença é que, mais que uma anedota sobre um adultério, esse livro se dedica a uma investigação mais filosófica: a busca da felicidade na vida moderna.

O protagonista é um homem muito rico chamado Jacinto, que apesar de ser de origem portuguesa sempre morou em Paris – a cidade mais avançada e tecnológica do mundo na época, a virada do século XIX pro XX.

Apesar de ter dinheiro pra comprar tudo o que ele pode querer, inclusive as novidades tecnológicas que estavam surgindo no mercado, como o telefone e a máquina de escrever, o Jacinto não é feliz.

Ele vive uma vida vazia, sem amizades verdadeiras, sem família, sem nenhum propósito.

As coisas só mudam quando ele se vê obrigado a retornar para a fazenda da família no interior de Portugal, onde não as novas tecnologias não chegaram. Lá pessoas ainda andam no lombo das mulas e preparam a comida em fornos à lenha, e todo mundo se conhece desde que nasceu.

 

Eça de Queirós.

Eça de Queirós.

 

Um homem da cidade no meio do campo, uma verdadeiro peixe fora d’água. É fácil imaginar como Jacinto fica apavorado com a perspectiva de voltar à Portugal…

Nessa narrativa inteligente e sofisticada, Eça de Queirós ensina a importância de resgatar o contato com as nossas raízes, com a terra, com a vida simples.

Quem diria. Um livro escrito há cem anos, mas que poderia ter sido escrito ontem. E que, em tempos de tecnologia para todos os lados, nunca foi tão necessário.

Especial: Série Vaga-Lume

 

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Desde o começo do ano eu já pensava do que fazer para celebrar a semana do dia das crianças! Eram muitas opções de livros que me acompanharam na infância: desde “O Sítio do Pica-Pau Amarelo, até os livros do inglês Roald Dahl (eu adorava especialmente “Matilda”), e eu cheguei até a pensar em ler algum livro novo para crianças agora na vida adulta, como o clássico “Mary Poppins” de P. L. Travers.

Mas acabei decidindo falar sobre uma série de livros brasileiros que me lembram muito a minha infância na escola onde estudei até a sexta série, lá no bairro da Casa Verde de São Paulo. Para mim, é uma das definições da infância – a série Vaga-Lume. Confira!

 

 

 


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O escaravelho do diabo
Éramos Seis
A turma da Rua Quinze
A ilha perdida
Deu a louca no tempo


 

E você, também leu algum livro da série Vaga-Lume durante a sua infância? Qual foi? Me conta aqui nos comentários!

43º livro: O Assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie

 

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Quais são os autores mais vendidos de todos os tempos?

Tirando a Bíblia, que é um livro religioso e escrito por várias mãos, e tirando também as obras do dramaturgo William Shakespeare, que já morreu há uns quinhentos anos, quem sobra? Sobra a escritora mulher mais vendida de todos os tempo, a Agatha Christie.

Também conhecida como “a Rainha do Crime”.

 

 


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Segundo o site oficial AgathaChristie.com, em mais de cinquenta anos de carreira ela publicou 66 romances policiais com os mais diversos e carismáticos detetives, mais de 150 contos de suspense e dezenas de peças de teatro – sendo que uma delas, “A Ratoeira”, detém o recorde de espetáculo que há mais tempo está em cartaz na história: 63 anos consecutivos.

Mas hoje resolvi falar do romance policial da Agatha Christie que eu, pessoalmente, mais gosto. E que eu acabo de ganhar de presente de um leitor do canal, o João Victor.

O único livro de detetive que, desde a primeira vez que eu li há mais de dez anos, eu nunca consegui me esquecer do choque de descobrir quem era o assassino. E que me dá arrepios, mesmo assim, a cada nova vez que eu o releio.

 

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Estou falando de O Assassinato de Roger Ackroyd, publicado pela primeira vez em 1926 e eleito recentemente como o terceiro livro mais querido da Agatha Christie – atrás apenas de “E não sobrou nenhum” (que por aqui no Brasil também é conhecido como “O Caso dos Dez Negrinhos”) e O Assassinato no Expresso do Oriente.

Se você nunca leu nada da Agatha Christie, pode escolher algum desses três com os olhos fechados, que você não vai se arrepender.

Mas tome cuidado, porque depois de ler o primeiro livro dela, a gente quer ler o segundo. E depois, o terceiro. E o quarto…

 

Retrato de Agatha Christie.

Retrato de Agatha Christie.

 

E com mais de setenta livros, logo você vai estar contribuindo pra que ela assuma o primeiro lugar entre a lista de mais vendidos de todos os tempos.

42º livro: Cinquenta Tons de Cinza, E. L. James

 

Muita gente estranhou a escolha do livro dessa semana.

Realmente, Cinquenta Tons de Cinza foge completamente do padrão de livros que eu tenho resenhado aqui no Ler Antes de Morrer. O best-seller erótico de E. L. James é um patinho feio entre as obras do Miguel de Cervantes, da Harper Lee, do Machado de Assis, do Dostoiévski e muitas outras que estão espalhadas nesse blog.

 

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Mas, afinal, por que falar de Cinquenta Tons de Cinza?

Porque eu sou uma firme defensora de que primeiro a gente precisa conhecer uma coisa antes de criticá-la. Porque, em apenas dez meses no comando do Ler Antes de Morrer, eu já venci inúmeros preconceitos literários (O Pequeno Príncipe, Senhora, A Metamorfose…) e eu quero que continue sendo assim.

E também porque, amando ou odiando as aventuras sexuais de Anastasia e Christian Grey, ninguém em sã consciência pode negar o poder de influência que esse livrinho, tão despretensioso e mal escrito, teve na nossa sociedade – suficiente para injetar gás num mercado que gera milhares de empregos e milhões em impostos, mesmo em tempos de crise: o mercado erótico.

Foi por isso, para me ajudar a entender este fenômeno literário e cultural, que eu resolvi falar sobre Cinquenta Tons de Cinza. E ainda convidei a jornalista Nathalia Ziemkiewicz – que é especializada em educação sexual e comanda há dois anos o blog Pimentaria – para fazer dessa resenha um bate-papo sem censuras. O resultado ficou sensacional.

 

 

O LIVRO

Uma dona-de-casa inglesa, casada e mãe de dois filhos.

Quando ela tinha algum tempo livre das tarefas domésticas, ela gostava de se dedicar a um passatempo inocente: escrever histórias baseadas na série de livros que ela mais gostava ler, a Saga Crepúsculo, e publicar na internet.

Mas as histórias que essa dona-de-casa, chamada Erika James, escrevia começaram a fazer muito sucesso.

E ficavam cada vez mais e mais diferentes da história de amor casto e romântico do vampiro Edward e da humana Bella, os heróis de Crepúsculo.

As histórias dela estavam ficando cada vez mais… picantes.

 

 

E foi assim, sem nenhuma pretensão literária, que surgiu um dos livros mais populares dos últimos anos – e mais polêmicos, também: Cinquenta Tons de Cinza.

O livro conta a história da estudante universitária tímida e insegura chamada Anastasia. Um belo dia, ela é levada a entrevistar um empresário multibiolionário chamado Christian Grey.

A atração é imediata. Mas há um detalhe. Ao contrário da Anastasia, que é virgem e totalmente inexperiente quando o assunto é o amor, Christian Grey é muito experiente – e tem um tremendo fetiche sadomasoquista.

Ao mesmo tempo que ele assusta a coitada da Anastasia, ele também a atrai de maneira incontrolável.

Fenômeno de popularidade no mundo inteiro, o livro “Cinquenta Tons de Cinza” ficou conhecido como “pornô para mamães”, e já deu origem a três continuações e um filme de sucesso.

 

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Erika L. James, autora da franquia Cinquenta Tons de Cinza.

 

Um livro ruim, se a gente prestar atenção na abundância de clichês e soluções literárias previsíveis. E também muito machista, já que coloca a mulher numa posição completamente submissa ao homem.

Mas, ao mesmo tempo, um livro revolucionário, porque ajudou a quebrar um grande tabu: o pornô para mulheres.

É como se, antes do livro, esse mercado não existisse. Depois de Cinquenta Tons de Cinza, ele se desenvolveu, e muitas mulheres (casadas e com filhos) perderam a vergonha de consumir livros e produtos eróticos.

Você pode amar, ou você pode odiar. Mas não dá pra ignorar que Cinquenta Tons de Cinza é uma das obras mais influentes dos últimos tempos.

41º livro: O Sol é Para Todos, Harper Lee

 

Era uma vez no Alabama três crianças, que se chamavam Scout, Jem e Dill. E uma das brincadeiras favoritas delas era… atormentar o vizinho! Tá certo que esse vizinho era um homem esquisito, que nunca saía de casa, mas vai – ele não fez mal pra ninguém.

E mesmo assim elas colocavam apelido, invadiam a casa dele, faziam bagunça na varanda… e tudo só porque ele era um homem diferente.

Parece incrível, mas essa história de criança é o pano de fundo de um dos livros mais importantes do século XX. E que fala, justamente, sobre como é difícil aceitar o diferente.

 

 

Eu tô falando de “O Sol é Para Todos”, um livro publicado em 1960 nos Estados Unidos e que se transformou instantaneamente num clássico da literatura.

E quando a gente fala de “O Sol é Para Todos”, é impossível não falar também sobre a complicada questão do racismo.

 

Cena de "O Sol é Para Todos", de 1962.

Cena de “O Sol é Para Todos”, de 1962.

 

A história gira em torno de um advogado branco que resolve enfrentar a sociedade racista do estado do Alabama durante a década de 30. Ele vai defender no tribunal um homem negro que tinha sido injustamente acusado de violentar uma mulher branca.

Mas o mais legal, o mais bonito e revolucionário, é que a história não é contada do ponto de vista do advogado, mas da filha dele – justamente a menina Scout, que gostava de atazanar o vizinho.

Ela tem mais ou menos uns 7 anos e não entende lá muito bem tudo o que está acontecendo… mas de alguma forma, ela entende mais sobre justiça e injustiça do que todos os outros adultos ao redor dela.

Hoje com quase 90 anos de idade, a autora Harper Lee nunca tinha publicado nenhum outro romance depois de “O Sol é Para Todos”.

 

Harper Lee durante os anos 1960.

Harper Lee durante os anos 1960.

 

Mas mesmo assim ela conseguiu surpreender todo o mundo publicando agora em 2015 um outro livro, que ela manteve guardado a sete chaves por mais de 50 anos.

O livro será lançado no Brasil no próximo dia 5 de outubro, e traz dos mesmos personagens de O Sol É Para Todos, só que vinte anos depois. Ele se chama “Vá, chame um vigia”.

Um título estranho e enigmático, como tudo que a Harper Lee escreve. Mas não importa. Eu meu exemplar já está reservado.

40º livros: Dom Quixote, Miguel de Cervantes

 

Imagine um sujeito que está lá pelos seus 50 anos, que passa o dia inteirinho trancado no quarto devorando histórias em quadrinhos.

De tanto ler histórias do Batman, do Super Homem e do Capitão América, ele até se esquece de dormir. E todo dinheirinho extra que aparece ele usa para comprar mais revistinhas…

Até que finalmente ele enlouquece vez e resolve sair pela rua dizendo pra todo mundo que ele é o… Homem Aranha!

 

 

Parece ridículo, né? Pois foi o que aconteceu com o senhor Quijana.

Mas com a diferença de que ele viveu há 400 anos atrás na Espanha, e ao invés de histórias em quadrinhos ele gostava de ler livros de cavalaria.

E então, maluquinho da silva, o senhor Quijana se jogou na estrada dizendo que ele era um valoroso cavaleiro andante… chamado Dom Quixote de La Mancha.

Pois é, hoje em dia, muita gente considera este um dos livros difíceis e filosóficos de todos os tempos. Mas quando o “Dom Quixote” foi publicado, em 1605, o autor Miguel de Cervantes deixou muito claro: essa era uma obra de comédia.

 

 

Ao contrário de nós, que temos medo, o público lá da Espanha se rachava de rir com o Dom Quixote… mas era uma gargalhada constrangida, que de vez em quando se transformava em comoção.

Hoje, tantos anos depois, “Dom Quixote” é considerado por muitos o maior romance já escrito na história da humanidade.

E de velho maluco, o senhor Quijana começou a ser visto como a representação do o ser humano sonhador, que tem coragem de viver os próprios sonhos, mesmo tendo que pagar um preço bem alto por isso.

 

Miguel de Cervantes

Miguel de Cervantes

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Por isso, da próxima vez que você vir um Dom Quixote na estante da biblioteca ou da livraria, pode tirar da cabeça a ideia de que ele é um livro sério e carrancudo.

Na verdade, Dom Quixote é um livro alegre e sorridente, mesmo que de vez em quando escapem algumas lágrimas pelo canto dos olhos.