Livro nº 15: O Morro dos Ventos Uivantes, Emily Brontë

E a palavra é – misantropia.

 

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Você já ouviu falar disso? Segundo o dicionário, misantropia é aversão pelos outros, tendência a desconfiar e antipatizar com as pessoas em geral. O misantropo vive isolado, não gosta de muito contato social, é sarcástico e geralmente muito inteligente. Além da família e amigos muito próximos, não deixa ninguém se aproximar dele. Desagradável, não?

E ainda assim, essa palavra – MISANTROPIA – define uma das histórias de amor mais famosas da literatura mundial: “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë.

Na época em que foi publicado, 1847, os críticos logo perceberam que havia algo estranho neste romance. Muitos logo perceberam que havia alguma ligação entre “Ellis Bell”, o pseudônimo usado pela autora Emily Brontë, e “Currer Bell”, o pseudônimo usado Charlotte Brontë, irmã de Emily. Charlotte também tinha acabado de publicar também sua obra-prima, o romance “Jane Eyre”. Para boa parte dos críticos, tratava-se da mesma pessoa.

 

 

Ambos os romances, que hoje conquistaram lugar entre os clássicos imortais da língua inglesa, eram sombrios como nunca se tinham visto até então. Conseguiam combinar duas temáticas que pareciam inconciliáveis, mas que para as irmãs Brontë são feitas da mesma substância: amor e degradação humana. Mas, enquanto “Jane Eyre” foi um sucesso de público, “O Morro dos Ventos Uivantes” parecia passado dos limites.

Os críticos disseram que havia um número exagerado de personagens que desciam ao fundo do poço e de lá não mais saíam. Que a brutalidade deles era comparável a de homens pré-históricos. Que não haveria mal nenhum se, em meio a tantas trevas, o autor (eles acreditavam ser um homem) propusesse também um pouco de luz no fim desse túnel. Qualquer coisinha que mostrasse que ainda há alguma esperança na natureza humana. Que era um mistério como o autor tivesse conseguido concluir o trabalho sem se suicidar antes.

Se você entende inglês, pode ler essas críticas aqui.

Mas todos, no entanto, pareceram concordar que havia em “O Morro dos Ventos Uivantes” algo de hipnotizante. Quem começa a ler não vai querer parar até o final, por piores que sejam os sentimentos que os personagens despertam: revolta, desprezo, medo. Um crítico que se sentiu especialmente arrebatado sugeriu que ao invés de “uivantes” (wuthering), se dissesse – morro dos ventos “intimidantes” (withering).

A misantropia que falamos no início, ela está em toda parte. Está nos personagens, que vivem isolados e desconfiam de tudo e todos, só se casam entre eles. Está conosco, os leitores, que durante a leitura achamos que não há esperança para a humanidade. E também está com certeza na própria autora, Emily Brontë, que era uma legítima misantropa, tímida, reservada, quase sem amigos – mas capaz de ler os sentimentos humanos como ninguém.

Vou falar sobre a sinopse rapidamente, porque não adianta tentar descrever o amor doentio que este livro apresenta – você precisa conhecê-lo sozinho, e decidir se vai amar ou detestar.

 

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Perfil de Emily Brontë.

 

Tudo começa com a família Earnshaw, que é dona de uma grande propriedade no meio do nada no norte da Inglaterra chamada Wuthering Heighs – em português, “morro dos ventos uivantes”.

Um belo dia, o pai (o sr. Earnshaw) traz para casa um menino órfão, de aparência estrangeira. Era um pequeno mendigo que ele encontra quase morto de fome nas ruas da cidade e que nem falava inglês. Esse menino é batizado de Heathcliff e adotado pelo senhor Earnshaw como se fosse um filho.

Mas o gesto de caridade dele tem graves consquências. E uma delas é o ciúme mortal que vai surgir entre o menino Heathcliff e o filho legítimo da família, Hindley. Já a irmã mais nova da família, a caprichosa Catherine, vai se tornar a grande aliada do menino dentro da casa. E no futuro, os dois apaixonam-se de maneira incontrolável e doentia, arrastando todos os que estão a sua volta para a ruína.

Quando foi revelado que o criador do “Morro dos Ventos Uivantes” era uma mulher, muitos se recusaram a acreditar. Como podia uma moça jovem, virgem, que quase nunca saía de casa, filha de um pastor, ter escrito a história de um amor tão perturbado, incondicional, violento e, como foi interpretado na época (inglatera vitoriana), imoral e blasfemo? Como ela poderia saber sobre aquelas coisas?

Acredite se quiser, até hoje tem gente que duvida que uma mulher seja capaz de ter escrito algo assim. Dizem que o verdadeiro autor do “Morro dos Ventos Uivantes” seria o irmão mais velho dos Brontë, Patrick Branwell Brontë.

Essas pessoas ainda não perceberam que na cabeça de uma mulher pode existir bem mais do que coraçõezinhos e borboletas. Existe angústia, desejo, raiva, culpa, medo. E no caso da Emily Brontë, havia perspicácia e inteligência suficientes para fazer dela um dos maiores gênios literários de todos os tempos. Cujo trabalho continua, século após século, hipnotizando o mundo.

Livro nº14: A Revolução dos Bichos, George Orwell

 

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Um dos livros mais populares do Ler Antes de Morrer até agora! Tanto no Youtube, como no Instagram, foram dezenas de comentários, compartilhamentos de visualizações.

Uma das obras mais explosivas do século XX, “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, continua fascinando por ser inteligente, fácil de entender e extremamente persuasiva. Mesmo para as gerações pós queda do muro de Berlim (acho que posso me incluir nisso, afinal nasci em 1989, exatamente no ano da queda do muro), que não viram o mundo dividido em bloco capitalista e bloco socialista, a obra continua sendo fantástica.

Publicado oficialmente em 1945, “A Revolução dos Bichos” foi traduzido para quase todas as línguas, e continua sendo lido em todos os cantos do planeta com voracidade, mesmo que o contexto histórico que tenha lhe dado origem já não exista mais. E isso é porque, além de qualquer mensagem política, ele conta uma história universal – uma história que fala de liberdade.

 

 

No melhor estilo dos contos infantis, “A Revolução dos Bichos” é uma fábula protagonizada por animais. Numa fazenda no interior da Inglaterra, os animais um belo dia se reúnem para ouvir as palavras do porco conhecido como Velho Major, o animal mais sábio da pequena comunidade. Na reunião, o venerável suíno lhes conta o sonho que teve sobre uma coisa de que ninguém nunca tinha ouvido falar antes: uma vida livre dos seres humanos. Por que continuar trabalhando como escravos para que os seres humanos enriqueçam? Por que continuar entregando os nossos ovos, o nosso leite, a nossa força de trabalho e, em última instância, a nossa própria carne? Por que os animais ainda permitiam aquela existência de exploração e miséria?

O poder das palavras do Major é extraordinário. Não demora muitos dias e os animais, embriagados pelos sonho de uma vida livre, resolvem unir forças para expulsar o proprietário da fazenda. A Revolução acontece e eles tornarem donos de suas próprias vidas.
Rapidamente os animais criam uma sociedade onde todos são iguais, têm os mesmos direitos e deveres, podem preservar sua dignidade e não precisam mais trabalhar pra nenhum ser humano.

Mas, com o passar do tempo, as coisas vão fugindo do controle. Os porcos, que eram os animais mais inteligentes da fazenda, assumem gradualmente a liderança da fazenda. Em poucos anos, eles se transformam em patrões tão gananciosos e exploradores quanto os seres humanos costumavam ser. E os outros animais, seja porque tiveram medo de desafiar os porcos ou porque não foram espertos o suficiente pra entender o que estava acontecendo, acabaram permitindo o retorno da tirania – só que dessa vez, vinda dos próprios animais.

 

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George Orwell (Motihari, 1903 – Londres, 1950)

 

 

Ao contrário das fábulas infantis, “A Revolução dos Bichos” tem um final bastante triste. Mas a “moral da história”, por outro lado, está lá. E que moral é esta?

De imediato, os leitores de 1945 perceberam a semelhança entre essa fábula com a história da Revolução Russa, que tinha acontecido em 1917 e já estava mais que consolidada. Inclusive, o porco Napoleão, que se transformou no grande líder e tirano da fazenda dos bichos, é descrito quase que igual ao líder da União Soviética, o Josef Stálin, inclusive no que diz respeito à crueldade contra os seus opositores.

O próprio George Orwell nunca negou que aquela fosse uma sátira da União Soviética. Mas muito antes de “A Revolução dos Bichos” ser apropriada pela propaganda dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, o livro – pode acreditar – muito mal estar. E isso porque em 1945 a Segunda Guerra Mundial estava chegando a seu dramático desfecho, e o apoio da União Soviética ao bloco dos Aliados foi fundamental para conseguir derrotar Hitler. Por isso, nenhum escritor, jornalista ou político americano ou inglês ousava criticar Stálin de qualquer maneira. Mesmo que, naquela época, ele estivesse cometendo atrocidades contra as liberdades individuais, tanto na Rússia e como nos países da Europa Oriental.

Enquanto isso George Orwell, jornalista inglês de grande talento literário, revoltava-se com tamanha hipocrisia. Durante a sua breve vida (ele viveu 47 anos), ele sempre se solidarizou com a classe trabalhadora. Ele próprio se definia como socialista, mas fazia questão de esclarecer que “socialismo” não era o que estava sendo feito por Stálin na União Soviética. E pra ele, não poderia haver nada mais oposto ao socialismo do que a União Soviética.

Então Orwell escreve “A Revolução dos Bichos”, para tentar provar ao mundo que o o regime Stalinista da União Soviética distorcia completamente a ideia original do socialismo. Para ele, socialismo é democrático por definição, e jamais totalitário – mas a sua mensagem jamais foi plenamente compreendida.

Pouco tempo depois do fim da Guerra, o governo dos Estados Unidos mudou completamente de posição com relação à “Revolução dos Bichos” – e transformou o livro num dos melhores instrumentos de propaganda anti-comunista durante a Guerra Fria. Até mesmo a CIA, a agência de inteligência americana, financiou a distribuição da obra no máximo de países possível pelo mundo, chegando inclusive a mandar fazer uma versão em desenho animado.

A esta altura, Orwell já tinha morrido (ele faleceu em 1950), mas provavelmente teria ficado de cabelo em pé se visse que a obra foi tratada como um manifesto contra TODAS as formas de socialismo, sem nenhuma distinção para o que se fazia na União Soviética. Para o governo norte-americano, era tudo a mesma coisa, tudo uma grande ameaça.

A história mostrou que havia outras maneiras de fazer o socialismo, como o que o Salvador Allende tentou fazer no Chile nos anos 70 (você pode saber mais sobre isso no livro “A Casa dos Espíritos”, que eu já resenhei aqui). Mas a questão é que, durante a Guerra Fria, não havia “50 tons de cinza” com relação ao socialismo. Tudo era uma cor só – vermelho. E ele precisava ser eliminado.

Acho que a gente pode dizer que o George Orwell é um daqueles exemplos de artistas que perderam o controle sobre a sua obra. Ele tentou hastear uma bandeira, mas a que flamejou foi outra.

Felizmente hoje, anos após o fim da Guerra Fria, novas leituras estão sendo feitas sobre a obra de George Orwell. Hoje é possível compreender que ele foi mais do que um jornalista ou escritor, Orwell foi um intelectual de esquerda de rara lucidez – capaz diagnosticar, no momento em que aconteciam, as distorções políticas do seu tempo, que os historiadores demorariam décadas para enxergar.

E mesmo que a mensagem de suas obras seja sempre reinterpretada, permanece para aqueles que querem entender uma única mensagem – a de que o verdadeiro inimigo não tem filiação política. Porque o verdadeiro inimigo é aquele que quer restringir a liberdade. Ou, como ele mesmo disse, “a liberdade, se é que ela significa alguma coisa, significa o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir.”

 

Bookshelf Tour – Parte 3

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Quando o assunto é a minha estante, eu falo como uma matraca!

Por isso resolvi dividir a terceira parte do Bookshelf Tour em dois vídeos diferentes, e um pouco mais curtinhos… Mas não adiantou muito, eu continuei me empolgando e falando mais do que eu deveria.

Mas também, tem como não se entusiasmar? No primeiro vídeo, eu falo sobre a minha maravilhosa coleção de livros de crônicas do Luis Fernando Verissimo (alguns dos livros mais hilários que já li na vida), me derreto mostrando alguns dos meus romances favoritos, como A Casa dos Espíritos e Reparação… Sem falar na minha linda coleção de livros-reportagem que mudaram minha visão do Brasil e do mundo!

 

 

E na segunda parte do Bookshelf Tour, eu mostro simplesmente toda a minha coleção de Harry Potter, meus livros do Victor Hugo como Os Miseráveis e o Corcunda de Notre Dame, um dos meus livros favoritos, Cem Anos de Solidão, e também o mais querido livro da Jane Austen, Orgulho e Preconceito…. Ai! É muita coisa boa!

 

E se você gosta de livros tanto quanto eu e ficou curioso para ver as outras partes do meu Bookshelf Tour, é só clicar nos links abaixo!

Parte 1

Parte 2

13º livro: A Mulher que Escreveu a Bíblia

Literatura brasileira é exótica?

Pergunto isso porque adoro ler livros brasileiros, tanto que você já viu por aqui resenhas de Jorge Amado (que é baiano) José de Alencar, que é (cearense), Carneiro Vilela (pernambucano), e do Graciliano Ramos (alagoano). E ainda vai ver muitos outros.

Mas tenho a triste impressão de a maioria dos leitores brasileiros, alguns até mais ávidos do que eu, não estão nem aí para os livros nacionais. Duvida? Então olha só a lista dos 10 livros mais vendidos entre 30/03/15 a 05/04/15 segundo a PublishNews, a principal publicação do setor editorial:

 

Mais vendidos

 

Perceberam? Apenas um autor brasileiro entre os dez mais vendidos de ficção – o ator Paulo Gustavo com livro “Minha mãe é uma peça”, embalado pelo sucesso no teatro e no cinema. E se você descer ainda mais a lista, o próximo autor brasileiro só vai aparecer na posição número VINTE: Chico Buarque, com “O Irmão Alemão”.

O consumidor médio brasileiro está aprendendo a gostar de ler, e o nosso mercado editorial está investindo cada vez mais em super lançamentos – tudo isso é inegável. Mas me deixa muito deprimida perceber que os leitores da minha geração, principalmente adolescentes e jovens adultos, parecem só ter interesse por livros gringos (e acho até que estou sendo generalista demais em falar “gringos”, porque isso pode passar a impressão de que são obras de vários países diferentes, quando na realidade são apenas os americanos e os ingleses, com raras exceções).

 

 

É uma pena. Dentro do Brasil nós temos uma tradição literária fantástica que, talvez por culpa dos métodos pedagógicos ultrapassados das escolas, é motivo de trauma para boa parte dos leitores adultos. Machado de Assis, Lima Barreto, Guimarães Rosa? Cruz credo! Muita gente só lê esses “trambolhos” por causa do Vestibular. De certa forma, eles se tornaram mais “estrangeiros” para nós do que o John Green, a Nora Roberts e a E. L. James.

Alguém poderia argumentar: ah, mas esses autores brasileiros que você está falando são muito antigos e difíceis de ler, e as pessoas sempre preferem os livros do seu tempo!

Já que é assim, hoje eu vou falar de um livro de um escritor brasileiro que nos últimos quarenta anos escreveu mais de 80 livros, muitos reconhecidos por prêmios internacionais, mas que nunca conquistou realmente o status de celebridade entre nós, leitores brasileiros.

 

A mulher que escreveu a Bíblia, de Moacyr Scliar

 

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Há pouco mais de um mês, a morte do escritor e médico gaúcho Moacyr Scliar completou quatro anos. Ele morreu relativamente novo, aos 73, em consequência de um AVC. Além das dezenas de livros, o legado que ele deixou inclui crônicas de jornais, contos avulsos e algumas outras obras publicadas postumamente. O Moacyr fazia parte, inclusive, da Academia Brasileira de Letras, e ganhou inúmeros prêmios nacionais e internacionais ao longo da vida.

Escritor multifacetário, Scliar escrevia para adultos e crianças, homens e mulheres. Analisando a obra como um todo, é possível identificar três grandes influências culturais. Em primeiro lugar, as tradições gaúchas, já que Scliar nasceu em Porto Alegre e lá viveu praticamente a vida toda. Segundo, as origens judaicas, que sempre foram pra ele uma fonte de inspiração. E por último, a formação em medicina, já que além de ser escritor ele arrumava tempo de trabalhar como médico sanitarista. Durante a carreira, ele deu aulas na faculdade de Medicina e chegou a trabalhar na secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul.

 

Moacyr Scliar em palestra em Caxias do Sul, 2008.

Moacyr Scliar em palestra em Caxias do Sul, 2008.

 

“A mulher que escreveu a Bíblia” foi um romance escrito na maturidade, quando Moacyr Scliar já era conhecido em todo o país. Foi publicado em 1999 e venceu do prêmio Jabuti, o mais importante da prêmio literário no Brasil. E daquelas três influências, como o próprio título sugere, ele reflete o interesse de Scliar na cultura judaica e na própria Bíblia.

A Bíblia caiu do céu? Judeus e cristãos a vêem como a palavra de Deus, mas também concordam ela não surgiu na Terra de repente, por magia. Deve ter havido algum momento na História em que alguém sentou a bunda na cadeira e se pôs a escrever num volume só todas as histórias que se transformariam no Velho Testamento, certo?

Mas e se este alguém tiver sido uma mulher? E mais: o que pode ter motivado esta pessoa a se entregar a esta tarefa gigantesca? Esta é a proposta de Moacyr Scliar neste pequeno livro de menos de duzentas páginas.

E de todas as coisas que a gente pode pensar de um livro que tem essa temática, tão santa, acho que nenhuma corresponde ao que a gente realmente encontra: erotismo, bom humor, ironia e, acima de tudo, o ponto de vista de uma mulher. Porque, se tem uma coisa em que as três grandes religiões ocidentais (judaísmo, cristianismo e islamismo) concordam, é em deixar as mulheres no segundo plano.

 

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Pedaço dos manuscritos do Mar Morto, um dos textos bíblicos mais antigos que conhecemos. Estima-se que eles tenham sido escritos entre 408 e 318 a.C.

 

A tal mulher que escreve a Bíblia é uma das milhares de esposas do Rei Salomão, a mais feia de todas, mas a única que sabe ler. Graças ao texto hilário de Moacyr Scliar, ela não narra como uma mulher da antiguidade provavelmente narraria, mas como uma mulher de hoje – usando uma linguagem irreverente e muito irônica, e sem pudores para falar de sexo ou das maracutaias políticas que rolavam no palácio.

E contando a história da Bíblia de maneira tão inusitada, parece que o Moacyr Scliar, como bom professor que ele também foi, tinha o objetivo principal de aproximar os personagens consagrados do folclore bíblico ao público dos dias de hoje.

E também provar que, afinal de contas, a Bíblia não surgiu do nada, por milagre (puf!), ela foi feita por seres humanos. E por isso, ela também reflete as fraquezas, as paixões, as censuras e até os interesses políticos daqueles que a escreveram.